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13 de mai. de 2016

Aí o Cleiton perguntou: o que é o Projeto Precisa?

Aí o Cleiton perguntou: "O que é o Projeto Precisa?"

E eu disse: "Não Suely, não responda." Nossa reunião no trabalho já ia longe e eu sabia que essa pergunta renderia uma daquelas explicações que faria os olhos de Suely brilharem, a conversa continuar e minha chegada em casa atrasar horas naquela gelada sexta-feira  na serra petropolitana.

Então Cleiton, essa é pra você:
Trabalhando na área de meio ambiente em empresas de diferentes segmentos, alguns comportamentos eram muito parecidos onde quer que Suely vivesse o desafio de implementar um sistema de gestão ambiental. Na gestão de resíduos, por exemplo, não há como fazer uma boa gestão sem o envolvimento de todos os funcionários, mas para os que vivem o estresse dos processos produtivos e administrativos esses caras do Meio Ambiente, da Qualidade e da Segurança do Trabalho não conhecem metade de nossos problemas e ainda querem nos dar mais tarefas ou opinar sobre o que não sabem.

Observando os desafios da implementação de uma gestão integrada de resíduos, Suely começou a imaginar que se cada colaborador dedicasse uma simples pergunta em suas tarefas diárias poderia contribuir para a gestão ambiental da empresa e para sua própria cidadania. E a pergunta era "Precisa?"

Usar copos descartáveis, tendo uma copa no trabalho: Precisa?
Imprimir em apenas um lado da folha: Precisa?
Jogar fora recicláveis no lixo comum: Precisa?
Desperdiçar alimentos porque no refeitório da empresa não pagamos pelo peso: Precisa?

28 de jan. de 2015

Se não dá para reutilizar, então manda para a reciclagem

Ser voluntária do Instituto Precisa foi uma decisão acertada. Aprender sobre preservação do meio ambiente é como fazer exercícios físicos, a gente só tem a ganhar. Como o Instituto Precisa foi fundado por engenheiros químicos, a legislação norteia seus métodos e ações. 

Da Política Nacional de Resíduos Sólidos seguimos a ordem de prioridades: a primeira delas é evitar a geração de resíduos e por aí vai... reduzir, reutilizar, reciclar, tratar os resíduos perigosos e finalmente dispor em local adequado.

Quando recebo uma missão do Instituto Precisa, tenho essa ordem em mente. Dia desses, Suely me pediu para procurar uma loja de carimbos para devolver as bases de madeira de carimbos não mais utilizados. Ela retirou a parte plástica e me entregou as pequenas peças de madeira. Lá fui eu para minha missão de "reutilização". 

Na primeira loja, a atendente não conseguiu sequer entender o meu pedido e chamou um funcionário mais antigo.
"Não senhora, não usamos mais esses modelos. Agora só fazemos em plástico."
Na segunda loja, comecei perguntando se eles produziam carimbos com essas bases e me convenci que não encontraria em Petrópolis uma loja que tivesse interesse pelas pequenas peças. Voltei ao Instituto com o pensamento de "Ah... Suely, dessa vez eu te peguei" e contei para ela minha missão fracassada, esperando sua reação. Ela, tranquilamente, respondeu:

"Não dá pra reutilizar? Então manda para a reciclagem!"

Na hora, lembrei das prioridades da PNRS. Se o resíduo foi gerado, vamos tentar reutilizar, se não for possível, então vamos reciclar. Seja uma garrafa pet já muito reutilizada e reciclada, seja um objeto qualquer do dia a dia, como os carimbos velhos da Suely.


3 de nov. de 2014

Pratique esportes e corra... corra dos brindes

Quando entrei no Instituto Precisa já conhecia o Vitor Ferreira, engenheiro químico que faz parte de nossa equipe, alimentando nossos projetos com informações dos desafios da reciclagem no mundo industrial. Vitor trabalhou nos projetos de elaboração de relatórios de gases de efeito estufa, balanced scorecard, software de gestão de resíduos e participou de vários cursos para atualizar o Instituto Precisa, dentre eles o do relatório GRI - relatório de sustentabilidade que divulga o desempenho econômico, ambiental, social e de governança de uma instituição.


Voluntário do Instituto Precisa, Vitor pratica na vida o que falamos aqui. Ciclista, alpinista, mergulhador, corredor que corre de brindes.  Nos eventos que frequentamos juntos fazia questão de não aceitar os brindes distribuídos. Nada de canetas, pastas, bolsas e aquele monte de folhetos de propaganda e revistas. Eu ainda não resisto a uma caneta e pasta, um bloquinho então, pego rápido e já começo a anotar os destaques das palestras que assistimos. Mas Vitor falava do paradoxo de fazer um evento de meio ambiente ou valorização da biodiversidade com um marketing contraditório que gera um monte de lixo com distribuição de brindes, muitas vezes inúteis. Se em cada corrida que participa, levar a garrafinha de água (squeeze) que distribuem como brinde, vai montar uma cooperativa de reciclagem. A política de resíduos é clara, a melhor maneira de tratar resíduos é evitar sua geração indiscriminada.


Sinto saudades do Vitor, com quem hoje só me comunico por email e que me confirmou uma verdadeira teoria: quando eu era jovem gostava de conviver com pessoas com o dobro da minha idade para aprender coisas novas. Hoje, gosto de conviver com os que têm a metade, pelo mesmo motivo.

Adelia Di Buriasco.



23 de mai. de 2014

Meus primeiros dias no Instituto Precisa

Quando minha mãe fez 70 anos, senti vontade de voltar para casa e aproveitar mais tempo com ela. Estava a três horas de casa, trabalhando em uma fábrica de sal e subia a serra de Petrópolis não mais do que 3 fins de semana por ano. Mas voltar para a serra não era decisão muito simples para quem trabalhou na indústria a vida inteira. As opções de trabalho se resumiam a comércio e cursos de inglês e foi necessário um acidente de bicicleta para que a recuperação de uma cirurgia no joelho na casa de minha mãe me fizesse ficar.

Comecei a trabalhar em um curso profissionalizante mas não demorou muito, recebi o convite de Suely Valente para trabalhar no Instituto Precisa, ONG de meio ambiente com ênfase em produção e consumo sustentáveis. Suely, engenheira química com vasta experiência em indústrias, criou a ONG para divulgar informações sobre os desafios da gestão dos resíduos. Quem conhece a Suely, lembra dela sempre que toma xarope. "Por que precisam vender todo xarope com copinho medidor. A gente não pode deixar um guardado em casa? Precisa?"

Suely trabalha com sistemas de gestão ambiental, buscando as melhores soluções para estações de tratamento de despejos industriais e gestão de resíduos sólidos para indústrias e acredita que se os consumidores conhecerem os desafios enfrentados para o tratamento correto dos resíduos, farão escolhas mais adequadas em suas compras diárias. Uma vez, recebeu a reclamação de um reciclador sobre caixas de ovos cor-de-rosa: "Dona Suely, avise as pessoas que essa cor na embalagem dificulta a reciclagem. Precisa ser cor-de-rosa? Precisa?" Pois é, não precisa. E é isso que fazemos no Instituto Precisa. Em contato constante com indústrias e recicladores, buscamos informações atualizadas sobre os desafios da reciclagem.

Quer saber um pouco sobre isso: Precisa ser assim?

Quer saber um pouco sobre nós:  colaboradores do Instituto Precisa 


Adelia Di Buriasco

21 de nov. de 2013

Por que Precisa?

A primeira coisa que me chamou atenção, quando entrei no Instituto Precisa foi seu nome. Suely me explicou que escolheu para nos lembrar que para cuidar do meio ambiente, essa deve ser uma pergunta constante.

Na hora que a moça da farmácia nos entrega uma cartela de remédio numa pequena sacola plástica, a gente deve questionar: Precisa?

Quando compramos um presente e esse é embrulhado em um papel não reciclável: Precisa?

Quando o laboratório de análises clínicas nos entrega o resultado em uma pasta plastificada, dentro de um envelope: Precisa?

Quando compramos o que não precisamos apenas porque está em promoção e certamente deixaremos de lado após o primeiro uso: Precisa?

15 de out. de 2013

Uma professora sustentável

Quando entrei no Instituto Precisa, já havia trabalhado em setores de meio ambiente e qualidade mas o termo sustentabilidade era pouco falado. Suely então me apresentou dois livros: o Plano B, de Lester Brown e Cannibals with Forks, de John Elkington. Os dois explicam bem o conceito de sustentabilidade quanto ao desenvolvimento econômico, contemplando também as questões socioambientais. O Plano B é leitura obrigatória e gratuita (clique aqui para o download) e Lester Brown é apaixonante, lúcido em suas colocações, racional e muito objetivo.


Ler Lester Brown é como estar em sala de aula de bom professor e enquanto lia suas teorias e argumentações, me lembrava de minha professora de Ciências do ensino básico: Dóris Guimarães. Era a década de 70 em que protestávamos contra a ditadura de camisetas brancas e calças Lee, tinha que ser Lee. Eram importadas e caras e eu tinha apenas uma que usava de segunda a sexta e lavava aos sábados de manhã. Nos invernos chuvosos de Petrópolis, às vezes tinha que secar com o ferro de passar antes de começar nova semana.

12 de jun. de 2013

Meu namorado sustentável

"Sustentabilidade, desenvolvimento econômico considerando meio ambiente e aspectos sociais." Essa frase martelava minha cabeça quando comecei a trabalhar no Instituto Precisa. Tudo envolvia o tripé da sustentabilidade e eu adorava quando conseguia distinguir as três correntes em um mesmo trabalho, como um projeto que Suely participou em suas andanças, em que precisou identificar os requisitos de qualidade e meio ambiente para que uma produção de agricultura familiar pudesse fornecer seus produtos no comércio local.

Até hoje é o projeto que mais gostei no Instituto Precisa. Pessoas simples do campo que trabalham com agricultura orgânica e vendem seus produtos na comunidade local. A comunidade se desenvolve economicamente, os consumidores compram produtos saudáveis, não há grandes deslocamentos para a entrega da produção com queima de combustível do transporte e a terra é tratada de maneira natural sem uso de agrotóxicos. Tudo sustentável. O casamento perfeito.