13 de mai de 2016

Aí o Cleiton perguntou: o que é o Projeto Precisa?

Aí o Cleiton perguntou: "O que é o Projeto Precisa?"

E eu disse: "Não Suely, não responda." Nossa reunião no trabalho já ia longe e eu sabia que essa pergunta renderia uma daquelas explicações que faria os olhos de Suely brilharem, a conversa continuar e minha chegada em casa atrasar horas naquela gelada sexta-feira  na serra petropolitana.

Então Cleiton, essa é pra você:
Trabalhando na área de meio ambiente em empresas de diferentes segmentos, alguns comportamentos eram muito parecidos onde quer que Suely vivesse o desafio de implementar um sistema de gestão ambiental. Na gestão de resíduos, por exemplo, não há como fazer uma boa gestão sem o envolvimento de todos os funcionários, mas para os que vivem o estresse dos processos produtivos e administrativos esses caras do Meio Ambiente, da Qualidade e da Segurança do Trabalho não conhecem metade de nossos problemas e ainda querem nos dar mais tarefas ou opinar sobre o que não sabem.

Observando os desafios da implementação de uma gestão integrada de resíduos, Suely começou a imaginar que se cada colaborador dedicasse uma simples pergunta em suas tarefas diárias poderia contribuir para a gestão ambiental da empresa e para sua própria cidadania. E a pergunta era "Precisa?"

Usar copos descartáveis, tendo uma copa no trabalho: Precisa?
Imprimir em apenas um lado da folha: Precisa?
Jogar fora recicláveis no lixo comum: Precisa?
Desperdiçar alimentos porque no refeitório da empresa não pagamos pelo peso: Precisa?


E com o Precisa na cabeça, ela começou a reparar nos hábitos de seu dia a dia. Ao buscar seu exame no laboratório, a atendente pegava as folhas do exame e grampeava em uma pasta plastificada (de difícil reciclagem) e depois colocava em um grande envelope. Precisa? Reparava que na escola dos filhos usavam resmas e mais resmas de papel branco (clareado com produtos químicos) para exercícios de psicomotricidade. Precisa? Em cada situação, percebia que um simples questionamento poderia ajudar na redução de desperdício, menor geração de resíduos e uma contribuição mais ampla com as questões ambientais muito além do fechar a torneira ao escovar os dentes. Nessa época, pensou que faria o Projeto Precisa, onde levaria para as pessoas comuns... Sim, Cleiton, para as pessoas comuns. Assim falava Suely, essa pessoa incomum que conhecemos bem. Levaria para o "cidadão comum" as informações do mundo industrial sobre os desafios da reciclagem, sobre os produtos químicos usados para nosso conforto, muitas vezes desnecessariamente. Como engenheira química se sentia na obrigação de informar as pessoas que seus hábitos de consumo tinham consequências e que ao invés de falar mal das indústrias, as pessoas deveriam conhecer melhor os processos produtivos para fazer escolhas de menor impacto ambiental.

E assim, nasceu o Projeto Precisa com palestras em escolas e empresas. O tempo foi passando e o Projeto Precisa se transformou no Instituto Precisa que tem essa missão: informar as pessoas sobre os impactos ambientais de suas escolhas, com base no conhecimento dos processos industriais. 

Na Qualidade, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente partilhamos esse sentimento de intrusos e por isso, Suely insiste que antes de implementarmos qualquer mudança nas atividades dos setores, a gente ouça o que os donos do trabalho têm a dizer. Insiste também em levar sua mensagem por onde passa porque ela sabe que não adianta apenas ela saber, apenas ela perguntar. Ela quer que todo mundo pergunte: Precisa?
Adelia Di Buriasco.
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