29 de nov de 2012

Como surgiu o termo Desenvolvimento Sustentável

Na década de 1980, a ciência chamava atenção para problemas como o aquecimento global, a destruição da camada de ozônio, a chuva ácida e a desertificação. É nesse momento que entra em cena a Comissão Brundtland, presidida pela ex-primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland e da qual também fazia parte o brasileiro Paulo Nogueira Neto, então titular da Sema - Secretaria Especial de Meio Ambiente. 

Formalmente batizada de Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, foi criada pela ONU em dezembro de 1983 para estudar e propor uma agenda global para a humanidade enfrentar os  principais problemas ambientais do planeta e assegurar o progresso humano sem comprometer os recursos para as futuras gerações. 

Os 21 membros da comissão trabalharam durante novecentos dias. Nesse período, a crise desencadeada pela seca na África atingiu o auge, afetando as vidas de 35 milhões de africanos e matando 1 milhão; o vazamento de gases tóxicos em Bhopal, na Índia, matou duas mil pessoas e feriu duzentas mil; a explosão de tanques de gás matou mil pessoas e desabrigou milhares na Cidade do México; um reator nuclear explodiu em Chernobil, na antiga União Soviética, espalhando radiação por toda a Europa; e sessenta milhões de seres humanos morreram de doenças intestinais causadas pela desnutrição ou pela ingestão de água contaminada com microorganismos ou com resíduos tóxicos. Ficava cada vez mais claro que os problemas ambientais estão inextricavelmente ligados aos problemas econômicos e sociais. 


Apresentado à Assembléia-Geral da ONU em 1987, foi o relatório da Comissão Brundtland, Nosso Futuro Comum, que pôs em circulação a expressão “desenvolvimento sustentável”. Segundo Paulo Nogueira Neto, “ninguém lembra quem a usou primeiro”. Mas certamente foi aí que a gestão ambiental começou a evoluir para a gestão da sustentabilidade. 

Definido pela primeira vez no relatório Nosso Futuro Comum, “desenvolvimento sustentável é um processo de mudança, onde a exploração de recursos, o direcionamento de investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e as mudanças institucionais devem estar em harmonia e e melhorar o potencial atual e futuro para satisfazer as necessidades e aspirações humanas. 

O desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades. Ele contém em si dois conceitos fundamentais: 

• o conceito de 'necessidades', em particular as necessidades essenciais dos pobres do mundo, a prioridade absoluta que deve ser dada, e 

• a ideia de limitações, impostas pelo desenvolvimento tecnológico e organização social, da capacidade da natureza em atender às necessidades presentes e futuras.” 

No Brasil, a década de 90 foi marcada por um forte movimento das empresas em direção à conscientização de seu papel social e seu impacto no meio ambiente. Um importante marco para esse direcionamento foi a realização, no Rio de Janeiro, da Eco-92 – Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida também como Rio-92. Hoje, o que dizem os grandes líderes empresariais sobre desenvolvimento sustentável: 

“Formas de progresso que atendam às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades.”
 (World Business Council for Sustainable Development – WBCSD)

“Condição de sobrevivência do planeta, do homem e de seus empreendimentos.”
(Fernando Almeida, presidente-executivo do CEBDS)

Sustentabilidade, na perspectiva dos negócios, é concentrar, no Triple Bottom Line, o valor econômico, ambiental e social que as empresas podem acrescentar – ou destruir.
(John Elkington, autor de Cannibal with Forks)

“O ponto de intersecção entre os negócios e os interesses da sociedade e do planeta.”
 (Andrew W. Savitz, presidente da Sustainable Business Strategies, consultoria americana de sustentabilidade)

“Dar certo fazendo a coisa certa do jeito certo.”
 (Fábio Barbosa, presidente do Grupo Santander Brasil)

Para saber mais leia o gratuito: O Bom Negócio da Sustentabilidade, do engenheiro Fernando Almeida.
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